quarta-feira, 13 de agosto de 2008

ERA UMA VEZ, A ELEIÇÃO

As eleições parecem um grande concurso de histórias fantásticas. Como sempre, quanto mais inacreditavelmente belo é o futuro pintado por um candidato, maior é a facilidade com que ele cai no gosto da população, habituada a se proteger da falta de esperanças e consciência cidadã atrás de grandes ilusões.
Porém, hoje, embora as ladainhas contidas em projetos políticos se repitam com diferentes versões, predomina a falta de crença na possibilidade de um final feliz para qualquer mandato.
Viu-se, só ganha essa disputa quem conta mais dinheiro ou anedotas tendo como principal personagem o povo brasileiro. Os oportunistas do poder tratam os votantes como criancinhas que se podem enganar com contos, sejam esses de réis ou de fadas.
Afinal, sabe-se que as mudanças não se fazem em passe de mágica e exigem tempo e colaboração de toda a sociedade para surtirem efeitos produtivos. Isso, falando-se da dificuldade a ser enfrentada na implantação das melhorias mínimas, sendo que, para a situação calamitosa de miséria e violência presenciadas atualmente no Brasil, deve-se ter o trabalho para um governante eleito triplicado.
Não é estranho que alguém se diga capaz de sozinho, em quatro anos, reverter estragos sociais realizados cumulativamente ao longo de décadas? Penso que já ouvimos histórias mirabolantes demais, inclusive, com figuras que chegam a ser quase mitológicas, tais como os monstros do PCC ou a gang dos mensaleiros e sanguessugas. Usemos, então, esse arsenal de fantasia que nos foi dado para mostrarmos, no próximo pleito, termos crescido o bastante, para não mais crer na existência de super-heróis.
Antes houvesse uma campanha eleitoral que, sem romancear a realidade, afirmasse, o fato de o tão almejado bem comum continuar impraticável, enquanto não for tomado como responsabilidade de todos. É hora de o povo sair da postura de ouvinte da narrativa do país das maravilhas e escrever seu próprio rumo. E, para sair da posição cômoda de tão somente esperar pelo fim desastroso de discursos fundados em milagres paternalistas, só há um começo, o voto.

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