quarta-feira, 6 de junho de 2007

Sobre a não renovação da concessão da RCTV na Venezuela pelo presidente Hugo Chavez

Vamos aos fatos. Os 4,3 milhões que não apoiaram Chavez nas eleições têm as outras redes privadas de televisão como lugares para expressão de suas opiniões, isso é fato. As outras redes fazem oposição ao governo Chavez faz muito tempo.Mas, a não renovação da RCTV não é somente pelo veículo ser de oposição, mas, sim, de ser uma televisão golpista. Se o Chavez conseguiu 80% de votos foi porque ele atingiu uma força política com a população no golpe de estado que tomou e que está todo explicado no documentário “A revolução não será televisionada”.
A partir da volta do Chavez ao poder, ele meio que se tornou inatingível, pois as pessoas começaram perceber a manipulação feita pela RCTV na tentativa de forçar o Chavez a renunciar no golpe (que, inclusive, contou com apoio do exército dos Estados Unidos, como de praxe).
Na Venezuela há uma coisa que no Brasil são bem poucas e com poder quase inexpressivo: as rádios comunitárias. São elas que realmente dão força simbólica para o Chazes conseguir desmascarar as manipulações políticas feitas, como as que as TV’s privadas estão fazendo no Brasil.
O documentário que falei mostra a articulação do golpe contra o Hugo Chavez. É mais ou menos assim (traduzindo para a realidade brasileira): no golpe, a direita, comandada pelo PFL, se articula politicamente com reuniões no Palácio do Planalto pós golpe de estado (até então bem sucedido) com o Roberto Marinho (se ele estivesse vivo). Começam a discutir o que será feito para levar o Lula a renunciar, pois renunciar representaria ele abdicar do poder. Começam a sair notícias na Globo que o Lula renunciou. Entretanto, ele não o fizera e as rádios comunitárias conseguem quebrar o certo da manipulação da mídia e levam mais de 200 mil pessoas às portas do palácio do planalto pedindo a volta de Lula (isso só em Brasília).
Bom, não vou ficar detalhando o golpe contra o Hugo Chavez. É melhor ver o documentário. Acredito que o que já disse é suficiente para levar à compreensão de que as notícias dos correspondentes da grande imprensa do Brasil na Venezuela são sempre de que “milhares de pessoas” saíram às ruas para protestar pelo fechamento da RCTV e “apenas alguns poucos” foram se manifestar a favor. Como não acreditar que nem mesmo menos de 1% dos 23 milhões de venezuelanos saíram às ruas para apoiar a medida do Chavez? Tenham dó!

Um comentário:

Filho do Padre disse...

Abre um livro de Direito do Estado (sugiro o Dalmo Dallari) e estude o significado da expressão "democracia". Então, pegue "O contrato social" do Rosseau e leia inteiro. Depois, pegue uma Constituição de qualquer país (a do Brasil serve) e leia. Então você irá perceber que, se 80% dos venezuelanos apoiam Chaves, isso significa que existem 20% que não o apoiam, mas que, por serem Venezuelanos, possuem os mesmos direitos que qualquer outro cidadão daquele país. O mesmo ocorre com a tal rede de televisão golpista. Ora, se a mídia é o instrumento de expressão da sociedade, tal canal representa os anseios daqueles que, como cidadãos, tem o direito de discordar do governo Chaves. E mesmo que, apenas uma pessoa tivesse insurgido contra arbitrário ato de censura, seu direito de manifestação se equivale ao de milhões.