Vamos aos fatos. Os 4,3 milhões que não apoiaram Chavez nas eleições têm as outras redes privadas de televisão como lugares para expressão de suas opiniões, isso é fato. As outras redes fazem oposição ao governo Chavez faz muito tempo.Mas, a não renovação da RCTV não é somente pelo veículo ser de oposição, mas, sim, de ser uma televisão golpista. Se o Chavez conseguiu 80% de votos foi porque ele atingiu uma força política com a população no golpe de estado que tomou e que está todo explicado no documentário “A revolução não será televisionada”.
A partir da volta do Chavez ao poder, ele meio que se tornou inatingível, pois as pessoas começaram perceber a manipulação feita pela RCTV na tentativa de forçar o Chavez a renunciar no golpe (que, inclusive, contou com apoio do exército dos Estados Unidos, como de praxe).
A partir da volta do Chavez ao poder, ele meio que se tornou inatingível, pois as pessoas começaram perceber a manipulação feita pela RCTV na tentativa de forçar o Chavez a renunciar no golpe (que, inclusive, contou com apoio do exército dos Estados Unidos, como de praxe).
Na Venezuela há uma coisa que no Brasil são bem poucas e com poder quase inexpressivo: as rádios comunitárias. São elas que realmente dão força simbólica para o Chazes conseguir desmascarar as manipulações políticas feitas, como as que as TV’s privadas estão fazendo no Brasil.
O documentário que falei mostra a articulação do golpe contra o Hugo Chavez. É mais ou menos assim (traduzindo para a realidade brasileira): no golpe, a direita, comandada pelo PFL, se articula politicamente com reuniões no Palácio do Planalto pós golpe de estado (até então bem sucedido) com o Roberto Marinho (se ele estivesse vivo). Começam a discutir o que será feito para levar o Lula a renunciar, pois renunciar representaria ele abdicar do poder. Começam a sair notícias na Globo que o Lula renunciou. Entretanto, ele não o fizera e as rádios comunitárias conseguem quebrar o certo da manipulação da mídia e levam mais de 200 mil pessoas às portas do palácio do planalto pedindo a volta de Lula (isso só em Brasília).
Bom, não vou ficar detalhando o golpe contra o Hugo Chavez. É melhor ver o documentário. Acredito que o que já disse é suficiente para levar à compreensão de que as notícias dos correspondentes da grande imprensa do Brasil na Venezuela são sempre de que “milhares de pessoas” saíram às ruas para protestar pelo fechamento da RCTV e “apenas alguns poucos” foram se manifestar a favor. Como não acreditar que nem mesmo menos de 1% dos 23 milhões de venezuelanos saíram às ruas para apoiar a medida do Chavez? Tenham dó!
Um comentário:
Abre um livro de Direito do Estado (sugiro o Dalmo Dallari) e estude o significado da expressão "democracia". Então, pegue "O contrato social" do Rosseau e leia inteiro. Depois, pegue uma Constituição de qualquer país (a do Brasil serve) e leia. Então você irá perceber que, se 80% dos venezuelanos apoiam Chaves, isso significa que existem 20% que não o apoiam, mas que, por serem Venezuelanos, possuem os mesmos direitos que qualquer outro cidadão daquele país. O mesmo ocorre com a tal rede de televisão golpista. Ora, se a mídia é o instrumento de expressão da sociedade, tal canal representa os anseios daqueles que, como cidadãos, tem o direito de discordar do governo Chaves. E mesmo que, apenas uma pessoa tivesse insurgido contra arbitrário ato de censura, seu direito de manifestação se equivale ao de milhões.
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