terça-feira, 12 de junho de 2007

Dean no supermercado

A gente encontra um cara no supermercado. Havíamos ido lá para comprar a saidera. Daí, olhando para a fila, a gente percebe que não era um cara, mas sim três pessoas fazendo umas putas de umas compras que demorariam mais de 10 min para terminar de passar.
– Puta que pariu! – exclamou Dean.
Antes, a gente estava em um boteco que vendia a cerveja mais barata da cidade. Tínhamos tomado aproximadamente duas cervejas cada um e ido fumar um bom baseado que comprei com um maluco no boteco. O cara que me passou disse que se tratava do famoso manga-rosa do nordeste.

– Depois de mandar essa tronca, vamos para um supermercado 24h perto daqui – perguntou Carlos, um estudante de arquivologia que estava com nós.
– Certamente! – disse com a boca seca pedindo uma cerveja gelada para terminar em algo nível a noite.
– Então, vamos só se for agora...– já saiu caminhando Carlos.

Chegando lá, percebemos que havia uma puta fila do supermercado, um dos caras que estavam passando as compras, que tinha aparência de um viadinho enrustido, depois de ter comprando mais de mil reais por volta das 2h da madrugada!, se estressou porque a porta do lado do supermercado aonde tinha deixado o carro estava fechada e iria acarretar um maior esforço de caminhada dele.
Putz – pensei –, que merda, cara mais chato. Uns 10m a mais de caminhada. Ele tava reclamando para um trabalhador da madrugada. Que se foda. Para que alguém vai reclamar sobre isso? Entretanto, o cara reclamou. Fez um escândalo para o gerente que aquilo era um absurdo. Que não poderia jamais ser fechada a porta. E o gerente, encolhido, disse que aquilo era para segurança.
Nossa, naquele momento Dean, ao meu lado, pensou que tudo que se passava refletia uma pessoa que não se enxerga respeitosa, assim como também pensou que poderia se tratasse de apenas um simples viadinho enrustido da vida.
Assim, depois de Dean, Carlos, Vitor e eu passarmos as cervejas pelo caixa do supermercado, ambos com uma long neck na mão, Dean nos avisou que percebeu que todo aquele drama que o cara fizera estava sendo ridículo ainda.
– O que o cara falou para os malucos do supermercado é tudo drama. Olha onde está o carro que ele parou! – apontou Dean com cara de um desprezo enfurecido.
– Nossa, daria a mesma distância para chegar lá! Tanto faz se qualquer uma das portas estivesse aberta. O cara está viajando demais. Está muito louco, passando mal – disse eu.
– Pois é, acho que ele é um viadinho enrustido que pensa em humilhar as pessoas só para se passar por importante, daqueles bem riquinhos mesmo, dos que moram em uma casa chique. Mas, também pode ser um pau no cu que só curte humilhar um trabalhador que se fode, mas na verdade de dia também é um trabalhador que se fode – questionava-se Dean.
Depois disso, fomos embora. O resto da noite, antes de dormir, não tinha mais como não pensar naquilo. Coisas da vida pós-moderna.

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