Naquele dia, quando acreditavam que Dean seria uma pessoa integra e que superaria todas as dores e usurpações do mundo cotidiano, senti em seus olhos a dor da solidão e da angustia de ter pessoas que não o compreendiam.
Dean era um cara difícil. Ele não gostava de se abrir, de contar suas emoções. Suas brincadeiras eram, muitas vezes, ditames verdadeiros e de mau gosto, sempre pronunciados nos momentos errados. Ele poderia ser chamado de Joselito, mas a definição não o cabia, por pura falta de compreensão de seu espírito.
E não o cabia também por Dean ser sentimental. Ele se arrependia constantemente dos acontecimentos a sua volta e fazia de tudo para não chatear as mesmas pessoas já mal tratadas por sua inocência, ou mesmo pessoas diferentes com histórias parecidas. As mesmas babaquices que saem de sua boca e de sua atitude podem ser compreendidas de várias formas.
Por isso, apenas uma coisa em Dean é coerente: o pensamento do suicídio. Freqüentemente passa em sua cabeça como fazê-lo de forma a não causar muitos transtornos em seus conhecidos, da mesma forma que gosta da idéia de chamar o máximo de atenção disponível em seu rol social. Ele sabe que compreende a realidade além das análises dos jornais.
Ele gosta de ler livros. Gosta de escutar músicas diferentes, mesmo criticando veementemente várias após desilusões sonoras. Documentários que corroboravam são freqüentes. Entretanto, quando algo entra em sua idéia como de qualidade, dificilmente sairá.
Por isso, o que se pode entender é a vida para além de algo permeado por entendimentos filosóficos. Só se sentia preso a uma idéia: a de que sempre estava cento. Era o ápice do egocentrismo, um típico leonino.
Inacreditável como esse mundo se torna incompreensível algumas vezes. Mas, para Dean, tudo não se passava por um espetáculo encenado de forma coerente e de acordo, com as já determinadas regras estabelecidas.
O problema é que a vida não pode ser explicada facilmente. Por que não? Porque existe o sexo e esse é o compromisso humano com o animalesco, que faz qualquer um fazer o necessário simplesmente por uma vontade.
Vontade do homem de comer o máximo de mulheres gostosas por tempo determinado. Se falarem que homens gostam de qualidade, podemos concluir que isso se chama religião (ou complexo). Só que a religião é a privação da vontade terrena. A vontade humana e cerebral da busca do prazer é do máximo e eterna.
Homem gosta de se sentir viril. Mulher precisa se sentir puta. E a prostituição é natural e se expressa de várias formas ou comportamentos. A busca pelo prazer é de todos. Só o que transforma alguém e a faz se despreocupar dos ditames pré-estabelecidos é a consciência da miséria do argumento que possui. E nisso Dean era coerente.
sexta-feira, 25 de maio de 2007
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Um comentário:
"Só o que transforma alguém e a faz se despreocupar dos ditames pré-estabelecidos é a consciência da miséria do argumento que possui"
Que miséria de argumento? para viver em sociedade, não é necessário estabelecer regras? Dessa forma (essa busca do prazer) não seria como viver para si mesmo, quase que explorando uns aos outros?
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